sábado, 24 de maio de 2008

Comentário ao texto “Questionários de tipo “escala””

As escalas devem ser usadas quando o investigador tem como objectivo obter respostas que possam ser comparáveis umas com as outras.
As escalas mais usadas são as de Thurstone, de Likert de Guttman e de diferencial semântico.
Assim sendo, as escalas de Thurstone são muito usadas para medir atitudes, tendo o sujeito de responder “verdadeiro” ou “falso”, ou “concordo” ou “discordo”. Todavia, com este tipo de escala não é permitido identificar a intensidade dos sentimentos, no que diz respeito a cada frase.
Por outro lado, as escalas de diferencial semântico utilizam um número de adjectivos para avaliar o significado de três factores básicos. Sendo eles: avaliativos, potência e actividade. Por cada uma destas dimensões utilizam-se os adjectivos opostos, ou seja, “mau/bom”. No entanto, pelo facto de a escala ser composta por adjectivos ou frases bipolares, pode levar a que, por vezes, seja difícil compor antónimos perfeitos para os adjectivos ou frases bipolares. Porém, com este tipo de escala é possível comparar duas situações distintas, organizando assim um gráfico comparativo concebido a partir das respostas a cada uma destas situações.
As escalas de Likert baseiam-se na premissa de que a atitude geral se remete às crenças sobre o objecto de atitude, à força que mantém essas crenças e aos valores ligados ao objecto. Estas escalas têm semelhanças com as escalas de Thurstone, pois dizem respeito a uma série de afirmações relacionadas com o objecto pesquisado. Todavia, ao contrário das escalas de Thurstone, os respondentes não apenas respondem se concordam ou não com as afirmações, mas também informam qual o seu grau de concordância ou discordância. Assim sendo, é atribuído um número a cada resposta, que reflecte a direcção da atitude do respondente em relação a cada afirmação. Estas escalas permitem também obter informações sobre o nível dos sentimentos dos respondentes, visto que lhes dá mais liberdade para responderem. Outra vantagem das escalas de Likert é o facto de permitirem a transformação numérica do grau de acordo, o que permite trabalhar com valores médios, mínimos, máximos, desvios padrão, etc. Para a apresentação dos dados, estes podem-se fazer de diversas formas. Entre elas: tabela com os valores relativos das respostas favoráveis e desfavoráveis, os valores da média e do desvio padrão; pode ainda optar-se por apresentar a tabela sob a forma de um gráfico de barras.
Uma outra escala bastante utilizada é a de frequência verbal ou de avaliação de frequência. O formato desta escala é muito semelhante ao de uma escala de Likert, mas com duas excepções, que são: a escala apresenta palavras que indicam a frequência com que dada variável ocorreu e os itens da escala devem referir-se a acções/comportamentos muito específicos realizados pelos respondentes. Este tipo de escala permite a facilidade de resposta ao inquirido. Contudo, para o investigador pode ser limitadora em função das respostas dos inquiridos.
A escala ordinal é também uma escala bastante utilizada que, na prática, é uma questão de escolha múltipla que partilha algumas semelhanças com a escala de Likert e com a escala de frequência verbal. A diferença que individualiza este formato é que as alternativas ou categorias de resposta obedecem a uma ordem estrita de sequência de apresentação. A principal vantagem desta escala é a possibilidade que dá ao investigador de obter uma medida relativa da ocorrência de uma dada variável e deve ser usada quando a pergunta directa é demasiado ampla ou não suficientemente explícita.
A escala de ranking forçado, também designado de atribuição de ordem, tem como objectivo obrigar o respondente a ordenar os itens de acordo com um ranking para se obter uma sequência de preferências numa dada variável. Esta escala é muito usada em publicidade para conhecer as preferências dos consumidores relativamente a produtos concorrentes, mas também pode ser usada em investigação educativa em múltiplas situações de pesquisa. Os inconvenientes associados à utilização desta escala é a dificuldade de resposta que exige por parte do inquirido, pois precisa de analisar primeiro cada uma das opções para depois as ordenar num gradiente personalizado. É por isso que esta escala não deve ser usada quando os inquiridos são muito jovens.
Por último, temos a escala linear numérica em que os itens de um questionário avaliam uma única dimensão de uma variável, que se distribui ao longo de um gradiente de intervalos iguais e lineares. A escala numérica com extremos etiquetados é o formato que deve ser privilegiado pelo investigador, de forma a facilitar a análise e interpretação dos resultados. Estas escalas são simples, claras, económicas e produtivas. O formato é simples e são fáceis de preencher pelos respondentes, que não têm dificuldade em perceber o que lhes é pedido. A principal limitação tem a ver com o facto de não se aplicar a muitas situações concretas em particular, pois requerem a comparação directa com um dado específico ou uma avaliação de aspectos relativos a uma dimensão específicas.
Em suma, é muito importante termos conhecimentos dos diferentes tipos de escalas existentes e sabermos a que situação cada uma delas se aplica, pois assim conseguimos obter os resultados pretendidos com sustentabilidade e com poucas probabilidades de as respostas estarem incoerentes. Deste modo, o nosso trabalho de investigação é mais fácil e mais fiável, basta sabermos qual a escala a utilizar!

1 comentário:

Clara Coutinho disse...

Olá Rosa Teresa, acabo de ler o seu texto. Muito completo de facto!
Mostra que teve o cuidado de ler e estudar bem a matéria dada!
Ab
CC